Sei que é assunto velho, mas não podia deixar de escrever sobre a Turma da Mônica Jovem, a mais ousada jogada de MaurÃcio de Souza e cia. relativa ao lendário quarteto do Bairro do Limoeiro.
A nova revista se passa no futuro, quando Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali são adolescentes. Muita coisa mudou desde que eles eram crianças, a saber: Mônica está calma (e gatinha); Cebolinha tem cabelo, fala certo e agora se chama “Cebola”; Cascão virou maloqueiro, curte esportes radicais e toma banho; e Magali não é mais tão voraz quanto na infância, tudo para conservar o corpinho - nas palavras da própria. O traço dos desenhos também mudou, sendo agora em “estilo mangá”, embora a leitura seja a ocidental, ou seja, da esquerda para a direita.
Tudo novo, muitos paradigmas quebrados, mas o que importa, mesmo, é se o resultado ficou bom. Bem… então… Eu não gostei. A primeira edição força muito nos novos hábitos e estilos, de modo que parece que as crianças saÃram dos sete anos direto para a adolescência. Claro que isso é proposital, para mostrar as novidades aos leitores, mas poderia ser feito de maneira mais sutil.
O traço até que ficou bom, especialmente quando os desenhistas lançam mão de caricaturas e situações tÃpicas do mangá, usadas geralmente para demonstrar espanto, irritação ou constrangimento. Aliás, não acharia nada ruim transportarem tais recursos visuais para a revista tradicional, das crianças. Elas ficariam (ainda mais) divertidas.

Estilo mangá.
O enredo é muito fraco… Envolve muita ação e aventura, e blablablá. Essa coisa que publicitários insistem em escancarar nas propagandas de produtos infantis, mas que as próprias crianças detestam. Tipo tiozão querendo dar uma de meninão. Voltando ao roteiro, na primeira edição, única que li até o momento (e, acho eu, para sempre), rola um negócio envolvendo artefatos mÃsticos, cavaleiros do Japão, e outras bizarrices parecidas. Ah sim: os pais dos aborrecentes são cavaleiros predestinados a proteger o mundo da rainha malvada japonesa. Nem nos meus piores devaneios vislumbrei o seu Cebola ou a dona senhora mãe da Mônica empunhando espadas e prontos para a porrada.
Turma da Mônica Jovem chama a atenção por tentar recriar algo muito popular sob uma ótica mais adulta. Só que falha miseravelmente nisso justamente por não conseguir se desvencilhar do jeitão infantil dos quadrinhos do MaurÃcio. E, infantil por infantil, fico com as crianças de sete anos, cujas revistas são assumidamente para crianças, e por isso mesmo, descompromissadas e divertidas, como tudo que é bom na vida.
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PS: algumas passagens dessa primeira edição conseguem ser mais bizarras que a própria idéia de apresentar a Turma da Mônica jovem. Vejam esse diálogo no mÃnimo duvidoso entre Cascão e seu pai:

Adolescência, demora no banheiro, gel... gel, né?
O Cebolin… digo, Cebola, está bem malandrão, conforme tais passagens demonstram:

Dentes? Que desculpa horrÃvel...

Magali estraga-prazeres...
Que me achem infantil, idiota ou bobo, mas eu digo, para quem quiser ouvir (ou ler), que adoro Dragon Ball. O anime, o primeiro com o qual tive contato, marcou não só pelo pioneirismo, mas também por tudo que ele carrega consigo: qualidade, bom humor e um enredo que, à segunda vista, é de uma profundidade rara de se ver.

Goku.
O problema de se julgar algo pela capa é que minúcias escapam nesse tipo de análise. E Dragon Ball, até mesmo pela sua grandiosidade, não aceita análises superficiais. Foram 444 episódios, sendo 153 da série original, e 291 de Dragon Ball Z - Dragon Ball GT é tão ruim que desconsidero seus 64 episódios. Levando-se em conta que, no Japão, o desenho era exibido semanalmente, qualquer um constata que demorou um bocado para ele chegar ao final. E de fato, demorou: foram mais de dez anos.
Não bastasse a longevidade da obra, os personagens envelheceram. Não tivemos algo comum em desenhos americanos, ou seja, após vinte anos de exibição, os personagens continuam iguais a como eram na estréia. Não. Em Dragon Ball, os personagens evoluÃram, cresceram, envelheceram, tomaram rumos diferentes em suas vidas, viveram. E viveram não em qualquer lugar, mas num mundo detalhado, com mitologia própria, história, peculiaridades tão gostosas quanto exóticas, tamanhas que, no Japão, enciclopédias acerca do universo de Dragon Ball foram escritas e publicadas - e devoradas por muita gente. Em que outro lugar, por exemplo, um cachorro seria o Presidente de um paÃs sem causar pânico na população?
Poderia ainda listar mais um sem número de detalhes, uns mÃnimos, outros tão grandes que não merecem tal rótulo, mas acho que está bom. A idéia é transmitir o valor de Dragon Ball, o quanto a cria de Akira Toriyama influenciou e ainda influencia mentes do mundo inteiro.
Estou longe de ser um DB addicted, logo, imagine como ficariam fãs fervorosos, daqueles que vão a feiras de animes, fazem cosplay, dentre outras coisas, ao saberem que um filme baseado em Dragon Ball estaria sendo criado. E, depois desse vislumbre de excitação, imagine-o indo embora com a notÃcia de que tudo seria diferente na versão cinematográfica. Pois é…
Estão rodando um filme de Dragon Ball, e o primeiro trailer sairá em breve. Goku e Chichi estarão numa escola, o Picollo será rosado e terá armadura, a Capsule Corp. não fabricará as cápsulas caracterÃsticas da série, Mestre Kame que não é tarado, e… ah, qual é!? O que estão querendo fazer? Ou melhor, quem deixou a Fox fazer… fazer… isso?

Esse é o Goku (emo detected), e do lado, a Bulma (cadê o cabelo verde?).
Quanto mais notÃcias sobre Dragon Ball: O Filme aparecem, mais decepcionado me sinto. Uns podem dizer que é mimimi de fã que jamais se conformaria com nada que fosse apresentado no cinema, e talvez seja isso mesmo. Acho eu que algumas coisas não deveriam transcender seus espaços. Dragon Ball é um exemplo. Funciona bem como mangá, funciona bem como anime, mas tenho sérias dúvidas se funcionará como filme. E a julgar pelas notÃcias que saem sobre o longa, cada vez mais essa previsão se fortalece.
Excluindo esse pensamento “ado, ado, cada um no seu quadrado”, e partindo da premissa de que, talvez, quem sabe, um filme legal pudesse ser feito, o primeiro passo para o sucesso seria justamente o que a produção do filme jogou no lixo: respeito ao original. Mostrei, nos três primeiros parágrafos, a ponta do iceberg que é a mitologia de Dragon Ball. Tiraram os pontos-chave do desenho, aqueles que, ao serem vistos, remetiam imediatamente o telespectador ao universo de Dragon Ball. E eu pergunto: a troco de quê?
Talvez seja só para chamar a atenção. Ou então, quem está envolvido no projeto quer fazer algo divertido, tem boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio, de modo que, se não sabe fazer, NÃO FAÇA! Não pise na nostalgia deliciosa que muitos, hoje na casa dos vinte ou trinta anos, sentem ao ouvir um “kamehamehá”, ou então um “oi, eu sou o Goku”. Se querem vender bonecos, arranjem outro bode espiatório. Agora se querem avacalhar, criar o caos e deixar fãs furiosos, aà só posso lhes parabenizar; conseguiram.
Vê a foto ali em cima? Agora é passado. Há uma semana, fui ao cabeleireiro e pedi pra moça passar a tesoura e a máquina, sem dó. Digo, para ela fazer seu trabalho sem dó, já que, de minha parte, senti um certo pesar em ver as madeixas, por tanto algum tempo conversadas, caÃrem ao chão, mortas, sem vida.
O que me levou a tomar tal atitude foram dois problemas: manter a cabeleira em ordem, e agüentar a torcida do contra. Mãe, namorada, amigos, se duvidar até os cachorros vira-latas da rua me olhavam torto por causa dos cabelos um pouco maiores que o normal. “Está feio”, “está indecente”, “que coisa horrÃvel”… E olha que nem estava tão feio assim. Acho. Meu pai e minha irmã do meio, a PatrÃcia, apoiavam a iniciativa cabeluda, mas algo me diz que eles o faziam mais para causar confusão com minha mãe do que por qualquer outra coisa.
À pressão eu resistia bem, tanto que, apesar dos incessantes pedidos, principalmente os da minha mãe e da minha namorada, seguia firme e forte. O problema era o próprio cabelo, ou a dificuldade em arrumá-lo. Ele era quase que uma entidade viva, com humor próprio e bastante instável. Acordar e ir para a frente do espelho penteá-lo era uma loteria: dia ele colaborava maravilhosamente bem, dia nos atracávamos em brigas ferrenhas que me faziam chegar atrasado na faculdade - e isso apenas para deixá-lo apresentável.
Aà cansei. Me senti como um pai de detento, do tipo que faz tudo para o bem do filho, e este retribui com rebeldia. Como não sou pai, e meu cabelo não é meu filho, cortei o mal pela raiz - ou próximo dela. Há uma semana praticamente sem cabelo, tal qual na antiga foto que ilustrava o cabeçalho deste blog, ainda estranho. Parece que… falta algo, e não apenas literalmente, já que, de fato, faltam alguns centÃmetros de cabelo, mas também metaforicamente. Não descobri o que ainda, mas como força nunca foi um adjetivo que combinasse muito comigo, já descartei o mesmo problema pelo qual Sansão passou.
Ano que vem eu tento de novo.