Loucamente equivocados

Cena de Loucamente Apaixonados.

Dia desses estava zapeando a Netflix em busca de um filme açucarado. (Às vezes o nível de glicose sentimental baixa e nada é melhor que duas horas vendo a felicidade fictícia alheia para restaurá-lo.) Encontrei Loucamente Apaixonados, de Drake Doremus. O algoritmo da Netflix disse que eu iria gostar, e como ele é o melhor amigo para indicar filmes, aceitei a sugestão. E isso foi antes de eu saber que o filme foi feito com umas Canon 7D, custou uma mixaria e foi a sensação no Festival Sundance em 2011.

Para quem esperava um pote de mel, Loucamente Apaixonados é um xarope que engana — docinho no começo, amargo no final. O filme conta a história de Anna (Felicity Jones), uma britânica que vai estudar um tempo em Los Angeles e acaba se apaixonando por um nativo, também universitário, que projeta cadeiras, Jacob (Anton Yelchin). Aí ela dá uma banana à imigração, o que zoa totalmente o seu visto americano e, por isso, os dois entram numa lenga-lenga intercontinental aparentemente interminável.

Parece chato falando assim, mas a montagem do filme dribla esse potencial problema com saltos temporais e uma sutileza tremenda em deixar aspectos importantes (e óbvios) de um relacionamento subentendidos, fora da tela. É um filme que engloba um grande espaço temporal e, ainda assim, tem um ritmo lento, capaz de desenvolver o argumento sem pressa.

Jacob e Anna terminam e reatam, encontram outros parceiros nesse meio tempo para apenas dispensá-los mais tarde e voltarem aos braços um do outro, têm discussões idiotas, têm momentos delicados de cumplicidade, são displicentes em coisas importantes e super dramáticos em alguns aspectos clichês — pense no “estávamos dando um tempo” do Ross, de Friends, num contexto dramático em vez de voltado à comédia. É o tipo de casal de que eu jamais quereria fazer parte.

O final, e cuidado com spoilers, é maravilhoso. Achei um pouco abrupto, mas foi uma sensação passageira: ele é maravilhoso. Após tantas idas e vindas, tanto sufoco para ficarem juntos, Anna rejeita um beijo de Jacob no chuveiro e sai de cena, e Jacob faz aquela cara “onde foi que errei?”, deixando um misto de confusão e indignação no espectador mais romântico.

A paixão é a faísca que faz nascer o amor, é apenas um ingrediente desse. Não são sinônimos. Poderia dizer que a distância, com encontros breves intervalados por longos períodos de separação, borrou essa diferença e os induziu à confusão, mas vemos tantos casais repetindo o erro embaixo do mesmo teto… talvez não seja o caso.

Os dois, Jacob e Anna, esperavam que a vida fosse uma versão continuada do ano em que se conheceram. Nunca é. Em sua crítica, Mick LaSalle escreveu, certeiro: “É muito bom ter a vida inteira à sua frente, mas o que acontece se você escolhe a vida errada e fica preso a ela?” E estendo a pergunta: o que acontece quando o erro só se revela após desperdiçarmos uma quantidade monumental de tempo e esforço, quando o fim pelo qual tanto lutamos se materializa e… bem, concluímos que não valeu tanto a pena assim?

Ou talvez eu tenha visto esse filme num momento meio cínico da vida.

10 anos

Em tempos de crise, baixei a política da austeridade econômica em… bem, onde deu. Então quando a fatura da hospedagem chegou no e-mail, cobrando US$ 10 para manter no ar um blog às moscas (este), o espólio de um site que fracassou e um projeto da universidade, não tive muita dúvida: esse era um gasto que podia ser cortado e assim foi.

Quando criei meu blog pessoal, em maio de 2005, o lar onde ele repousa hoje não existia — o WordPress.com só abriria um beta para interessados alguns meses depois, em agosto daquele ano. O Twitter também não existia. O Google Reader nasceu e pereceu nesse meio tempo. O Facebook ainda era fechado em universidades americanas e o Orkut estava bombando por aqui, fazendo mais pela inclusão digital via atalho das lan houses do que qualquer governo já fizera até então. (Smartphones? Pff…)

Ele, meu blog, surgiu numa web bem diferente. Menos movimentada, mais inóspita e exigente com quem se aventurava a bordo do Internet Explorer ou do então queridinho dos vanguardistas, o recém-lançado Firefox. Eu achei que ter um site, ou melhor, um blog com meu nome fosse uma coisa legal e, por que não?, fui lá e criei um.

Este blog completou dez anos (!) e eu nem percebi. Nesse meio tempo eu me formei, comecei outra faculdade, tranquei o curso, comecei mais uma e nessa espero chegar ao final. Toda a minha carreira se desenvolveu nesse intervalo. Mudei de cidade, conheci o além mar, tive alguns rolos, um namoro, fiz e perdi amizades pela pura falta de cultivo, mudei muitas opiniões, um monte delas, dez anos atrás, tidas como cláusulas pétreas — desculpe, foi apenas um lapso; também parei com referências jurídicas (é meio brega, né?) em meio a conversas cotidianas.

Naquele primeiro post, publicado no dia 13 de maio de 2005, escrevi cheio de presunção:

O mais curioso é que, de cada dez blogs criados, se um vingar, é muito. Empolgação de principiante… Murcha tão rápido quanto floresce. Mas então, por que criar um blog, este blog?

Em minha defesa, o meu vingou. Ele é bem diferente do que era no início e, mesmo assim, ainda não sei muito bem por que o criei. Achava que sabia no começo, mal podia imaginar que ele mudaria tanto depois daquilo e jamais teria um propósito.

Houve épocas em que achava isso o máximo e escrevia bastante sobre tudo, apenas para alguns meses ou anos mais tarde apagar boa parte daquelas bobagens. Em outras, reservava esta área de texto onde estou digitando para questões que julgava profundas. Isso aqui era um palco para grandes discussões! Talvez essa falta de foco explique a longevidade do meu blog pessoal (esse termo ainda existe?); de outra forma, não saberia explicá-la.

Não sei se ele estará no ar em 2025, muito menos que formato terá. De alguns textos eu ainda gosto, mas são raros aqueles, principalmente da primeira metade da década, que atravessaram todo esse tempo sem que, em algum aspecto, passasse a me incomodar. Eu mudo de opinião com frequência e acho isso saudável, o que acaba gerando pequenos paradoxos quando sento, escrevo e publico as ideias do momento — ou seja, quando eu efetivamente as registro para me contrariar algum tempo depois.

Dez anos é uma era e, apesar dos pesares, dos transtornos e gastos, do tempo perdido com layouts ruins e outros fossos de horas mal usadas, e da falta de rumo ou propósito desse blog, o fato dele ainda estar no ar é algo que acho legal. Só não me pergunte o porquê; eu não sei explicar.

O amor líquido de Bauman

Lábios em formato de coração
Foto: Gemma Bou/Flickr.

Logo no início de Amor Líquido, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman resume do que se trata o livro:

A misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos, é o que este livro busca esclarecer, registrar e apreender.

Ao longo de quase 200 páginas, Bauman faz um passeio descritivo e em forma livre de como vê o amor no contexto da sociedade líquida. Apesar do problema do aquecimento global, o termo não se refere a um futuro apocalíptico dominado pela água, similar ao visto em Waterworld, mas sim a uma sociedade em constante mudança, sem formas definidas, contrária à solidez das instituições e relacionamentos de antigamente. O amor, pois, também sofre a interferência dessas mudanças do meio. Continuar lendo “O amor líquido de Bauman”

Os cinco mais de 2014

Cof, cof… alguém aqui? *tira a poeira* Por mais abandonado que esse lugar esteja, algumas tradições precisam ser mantidas. Desde o início das atividades neste endereço virtual faço um ranking anual, publicado sempre no dia 1º de janeiro, dos meus melhores textos escolhidos por mim — fala sério, você esperava mesmo algo menos umbigocêntrico em um blog que tem o meu nome lá em cima?

Nunca antes na história deste blog o negligenciei tanto como em 2014. Tive 365 dias para escrever aqui, mas só fiz isso nove vezes. Aliás, a surpresa com esse número tão pequeno foi tamanha que montei um gráfico da quantidade de posts publicados ano após ano (ele está suscetível a mudanças já que vez ou outra caio em posts antigos e apago alguns por vergonha das ideias do meu eu do passado):

Posts no blog ao longo dos anos.

Foi bem mais fácil escolher cinco entre nove do que… sei lá, entre 205 em 2010. Na verdade, não acho que tenha escrito cinco textos realmente legais aqui ano passado. Esmiuçando o trabalho publicado, vemos que não foi uma produção consistente: um dos nove foi esse “os cinco mais” do ano passado; três, resenhas de livros (e dois de um mesmo livro); um de filme; e um outro tradicional, o do meu aniversário.

Enfim, tradição é tradição, então lá vão os cinco que, se não gostei, no mínimo simpatizei mais:

  1. Sobre ser introvertido, em 16/8. Foi também o mais compartilhado e o mais acessado do ano entre os publicados em 2014.
  2. 28, em 8/11. Esse ano foi difícil…
  3. A Arte de Amar, de Erich Fromm, em 2/8. Eu realmente gostei da explicação sobre o amor e das propostas de Fromm para colocá-lo em prática.
  4. O Poder dos Quietos, em 22/12. Basicamente uma extensão daquele texto sobre ser introvertido, com mais foco no que a Susan Cain escreveu do que nas minhas experiências.
  5. O menino da Internet, em 7/9. Aaron Swartz foi uma grande perda. É uma inspiração e esse documentário sobre sua (curta) vida é bem bom.

E tem o lance das músicas, filmes, livros etc, certo?

Segundo o Last.fm, a música que mais ouvi em 2014 foi Days Are Gone, das meninas do Haim. É uma boa música. Só que as estatísticas ficaram prejudicadas porque desde o dia 21 de novembro passei a ouvir música pelo Google Music, que não conversa com o Last.fm, e nesse período ouvi muito, mas muito mesmo o álbum Classics, da She & Him. (Tem inteiro no YouTube, enviado pela própria dupla.)

Ele é todo de músicas românticas clássicas interpretadas por Zooey Deschanel e M. Ward. E é lindo. Gosto, em particular, das regravações de She, Stars Fell on Alabama e This Girl’s In Love With You. A única que ganhou clipe até agora é Stay Awhile, então curta aí:

Apenas ignore Unchained Melody. A original já é grudenta e meio chata, e essa regravação conseguiu piorar o que já não era muito bom.

Em relação aos filmes, vi 60, dois a menos que em 2013. A lista é composta por uma boa mistura de clássicos, lançamentos e filmes bobos, e na maioria dos casos curti bastante o que vi.

Meu favorito do ano foi Foi Apenas um Sonho, de 2009, dirigido pelo Sam Mendes e baseado no romance homônimo de Richard Yates:

Menções honrosas:

  • Melhor filme de ação: Robocop, do Padilha.
  • Melhor filme difícil que preciso ver de novo: Cópia Fiel, do Abbas Kiarostami.
  • Melhor filme lançado em 2014: Interestelar, do Christopher Nolan.
  • Melhor comédia: Cinco Anos de Noivado, do Nicholas Stoller.
  • Melhor filme óunnn que gracinha: Moonrise Kingdom, do Wes Anderson.
  • Melhor filme queria uma namorada: Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo, da Lorene Scafaria.
  • Melhor filme triste pqp quero morrer: Biutiful, do Alejandro González Iñárritu.
  • Filme que lamentei não ter visto (e ainda não vi): Debi & Lóide 2, dos Farrelly.

Sobre livros, mesmo com todo o aperto com a faculdade, o trabalho e os freelas, consegui ler sete e meio — considerando que não terminarei o atual em 2014. Gostei um bocado, como já disse, de A Arte de Amar, do Fromm, mas o favorito do ano foi As Correções, do Jonathan Franzen. A forma como ele fala da família Lambert é muito envolvente, é um livro delicioso (apesar do climão deprê/decadente da história).

E quanto aos jogos, acho que só terminei Tomb Raider, da Crystal Dynamics. Além de ser tecnicamente um bom jogo (gráficos, controles, música e interpretações acima da média), gostei ainda mais dele por um motivo mais ou menos particular. (Escrevi sobre esse motivo aqui e, pensando agora, bem que poderia tê-lo publicado aqui para arredondar dez posts, né?)


Feliz ano novo! <3

O Poder dos Quietos

Jangada no lago Thun, na Suíça. Setembro de 1985.
Foto: Jodi Cobb.

Susan Cain, uma mulher introvertida, dedicou alguns anos da sua vida explorando esse traço de personalidade. Seu livro, O Poder dos Quietos, é uma investigação minuciosa do que é ser introvertido em, como diz o subtítulo do original em inglês (a versão que li), “um mundo que não para de falar”.

O Poder dos Quietos é um mapa para se entender, mas também para ser entendido. Por isso ele não é indicado apenas para quem se identifica como introvertido, parcial ou totalmente — e, segundo um dado do próprio livro, de 1/3 à metade da população se encaixa nesse perfil. É um manual para relações sociais.

Com suas explicações embasadas por estudos e entrevistas, Susan mostra que a maior dificuldade dos introvertidos não é exatamente a condição, mas como a sociedade contemporânea, que supervaloriza a extroversão e deprecia quase que inconscientemente e muitas vezes de forma equivocada as características de quem não é muito chegado em jogar conversa fora, ou que prefere trabalhar sozinho, os enxerga. Ela chega a equiparar a situação à da mulher:

Os introvertidos que vivem sob o Ideal Extrovertido são como mulheres em um mundo machista, descontentes por conta de um traço que é parte do que são. A extroversão é um tipo de personalidade muito atraente, mas o transformamos em um padrão opressivo para o qual a maioria de nós acha que devemos nos adequar.

Não sei se chega a tanto. Outros apontamentos e conclusões dela, porém, dão menos margem a polêmica, são certeiros. Um deles, a distinção que Susan faz entre timidez e introversão, dois termos comumente tidos como sinônimos mas que não são a mesma coisa:

Nem são os introvertidos necessariamente tímidos. Timidez é o medo da desaprovação ou humilhação social, enquanto a introversão é uma preferência por ambientes que não são super estimulantes. A timidez é inerentemente dolorosa; a introversão, não. Um dos motivos das pessoas confundirem os dois conceitos é que às vezes eles se sobrepõem.

Dicotomia desnivelada

O historiador Warren Susman notou, há muito tempo, a mudança do que chamou de Cultura da Caráter, que valoriza a parcimônia, o “pensar antes de falar”, a capacidade de ouvir e a disciplina, para a Cultura da Personalidade, na qual o que importa é entreter e extravasar — mesmo quando não se tem muito ou mesmo algo relevante para pôr para fora — e que muda o foco para a maneira como os outros a percebe, em vez de como a pessoa é consigo mesma. (Qualquer semelhança com o narcisismo estimulado das redes sociais não é mera coincidência.)

Achamos pessoas que falam bastante mais inteligentes, e as vemos como líderes. Falar rápido também ajuda — pessoas assim são vistas como mais capazes e atraentes.

Não que seja uma questão binária. Citando Jung, Susan diz que “não existe algo como extrovertido puro ou introvertido puro. Um homem do tipo estaria internado em um sanatório.” Isso explica introvertidos que palestram e extrovertidos que conseguem trabalhar no completo silêncio. O problema é o lastro social que essas respectivas características têm e as implicações que gera, como a imposição dos escritórios abertos mesmo para equipes que se beneficiam e até precisam de locais privativos para desempenharem suas funções.

Uma das minhas maiores dúvidas, sobre o que determina essa característica, é respondida ao longo de alguns capítulos no meio do livro. A resposta? Varia. Há uma forte influência genética, mas dependendo do caso as circunstâncias dos primeiros anos de vida também impactam a nossa personalidade:

(…) Além disso, médias são complicadas. Uma taxa hereditária de 50% não significa necessariamente que 50% da minha introversão foi herdada dos meus pais ou que metade da diferença em extroversão entre eu e meus melhores amigos seja genética. Toda a minha introversão pode ter vindo dos genes, ou nada dela — ou, mais provável, alguma combinação imensurável de genes e experiência. Questionar se é algo da natureza ou da criação, diz Kagan, é como perguntar se uma nevasca é causada pela temperatura ou umidade. É a complexa relação entre as duas que nos torna quem somos.

O bom é que a nossa personalidade não é imutável. No que chama de teoria elástica/do elástico, Susan diz que “estamos bem em repouso e podemos esticar [nossa personalidade] até certo ponto”. Alguns são mais flexíveis, outros menos, mas é um alento saber que a aversão a ambientes tumultuados pode ser encarada e até bem aproveitada com algum esforço.

Para mim, como escrevi aqui no começo da leitura, a introversão explica muitas das minhas manias e comportamentos. O esgotamento que interações sociais causam, a necessidade de um refúgio solitário para recarregar as energias, o desgosto pelo trabalho em grupo… Nesse sentido O Poder dos Quietos foi uma luz, não por ensinar alguma estratégia maluca para superar esses problemas, mas sim por me mostrar que eles não são, afinal, problemas, mas sim apenas características. Ser introvertido não é ser pior ou melhor que extrovertidos; só é diferente.

O Poder dos Quietos passeia por algumas áreas bem abrangentes, como religião, colaboração e ambientes profissionais, e em seu último capítulo funciona como um guia para pais sobre como lidar com crianças introvertidas. O exemplo da praia, que ela usa para ilustrar as dicas, aconteceu comigo. Quando estava saindo das fraldas fui ao litoral com meus pais e apenas no último dia veio a coragem para molhar os pés no mar.

O introvertido é ressabiado por natureza e não adianta tentar convencê-lo a experimentar coisas novas com abordagens estimulantes ou de confrontamento. Essa parte, esse guia para os pais, deveria ser leitura obrigatória ainda na maternidade. Além de facilitar a vida dos seres humanos recém-nascidos que se revelarão introvertidos no futuro próximo, conscientizaria as pessoas e traria mais equilíbrio a essa dicotomia hoje tão desnivelada.


O Poder dos Quietos Compre O Poder dos Quietos, de Susan Cain

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Mesmo relapso para a maioria delas, tradições podem ser legais e o esforço para manter essas poucas com que me importo é válido. Há cinco anos escrevo aqui, no dia do meu aniversário (hoje!), uma espécie de reflexão pública, um post umbigocêntrico sobre o que estou fazendo da vida.

A essa altura, é um bocado delas em paralelo. Quando as compartimento, cada uma não parece uma grande coisa, são porções lidáveis. Mas se juntarmos o eu acadêmico com o do Manual do Usuário, o free lancer, o social, o que faz compras e limpa a casa e o que está tentando manter tudo isso funcionando, eles viram um Megazord da falta de tempo e de dedicação ideais para cumprir cada uma dessas demandas nem da melhor forma, mas de alguma forma.

Esse ano foi foda. Estou cansado e vendo oportunidades legais escorrendo pelos dedos — mas aproveitando algumas. Deixando amigos na mão ou não dando a atenção necessária, ou a que eu gostaria. Até esse texto, que ano passado preparei com antecedência e ficou legal, neste estou escrevendo agora, no fim da tarde do dia do meu aniversário, com uma leve dor de cabeça da noite de ontem.

Que. Fase. Meu. Amigo.

Não me resta muito a fazer, por ora. Quero terminar Comunicação, então tenho dois anos nesse esquema pela frente. Acho que tentarei simplificar as coisas. E reclamar menos. Estou me tornando uma pessoa de quem não gosto muito, alguém que reclama muito — inclusive, sim, neste post inteiro. Desculpa aí, pessoal.